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A dupla ortografia, outra vez

Estou a escrever este "e-mail" para também eu criticar a forma como gerem o problema da dupla ortografia.

Fico com um bocado de orgulho (português) ferido ao ver que este projecto não se destina primordialmente aos Portugueses. Contudo percebo a vantagem, e o que isso tem de bom, de se atender a ortografia de outras nações do idioma português.

Mas acho que se deveriam apresentar a respostas e tudo o resto primeiramente em português de Portugal e depois com as outras variações, porque não só os brasileiros merecem atenção. Para isso devia haver uma marca simbolica que permitisse ver a alternativa ao português Portugal. Entretanto deviam, usando os parênteses e parênteses rectos, ter uma norma para o seu uso, como por exemplo, primeiro a forma na forma de Portugal e depois na forma do Brasil. Isto não acontece agora e fica confuso saber qual a forma de Portugal.

P.S.: Nem toda a gente vive em cidades. Seria interessante mudarem "Cidade" para "localidade" no formulário de "perguntar".

Vítor Pereira :: Estudante :: Portugal

[R] Agradecemos as suas críticas. Permita-nos, porém, fazer um reparo sobre a sua afirmação de o Ciberdúvidas não se destinar «primordialmente aos Portugueses». Na verdade, o serviço que prestamos é dirigido primordialmente a todos os falantes de português, incluindo os portugueses, pelo que não vemos razão para se ficar com o orgulho ferido. Por fa(c)tos e circunstâncias históricas, o português saiu da Europa, espalhou-se por quatro continentes e é hoje, numérica e culturalmente uma das grandes línguas do mundo.

Se o que diz traz implícita a ideia de que a língua portuguesa é propriedade exclusiva dos cidadãos portugueses porque foi em Portugal que a língua surgiu, então só podemos discordar. Para já, a origem da língua não é só portuguesa, é também galega. Depois, há mais falantes de português fora da Europa do que em Portugal. Significa este argumento que o português europeu é uma variedade de segundo plano em relação, por exemplo, ao português do Brasil? A resposta é claramente não, porque o património e a vida cultural em português europeu continuam a ter dinamismo e proje(c)ção. E quem fala desta variedade, terá de falar das variedades de português que estão a elaborar a sua própria norma noutros países, como em Angola e Moçambique.

Em relação à dupla ortografia, esclareça-se que os parênteses curvos indicam as letras que só se usam na ortografia do português europeu (também seguida nos países africanos) e os parênteses re(c)tos, as letras só existentes na ortografia do Brasil. Compreendemos que as observações feitas, mas o critério até agora adoptado dá a possibilidade de manter um espírito de abertura ao português que se escreve na a(c)tualidade e um sentido de comunidade lingu[ü]ística.

Finalmente, vamos ponderar a sugestão de substituir no formulário a palavra "cidade" por "localidade". Mas gostaríamos sobretudo de frisar que vivemos num espaço lingu[ü]ístico constituído por aldeias, vilas e cidades e sabemos que todas elas dão todas o seu contributo para a vitalidade da língua que nos é comum.

Carlos Rocha :: 04/04/2007

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