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Uma Academia da Língua Portuguesa

Como me defendo dos espanhóis quando dizem «não há uma Academia da Língua Portuguesa que imponha ou dê preferência a um uso»? Respondo-lhes que há uma norma/forma padrão mas que respeita/não ignora o processo de evolução do uso da língua?

É tão desconfortável viver com a existência de várias possibilidades de uso, umas agradáveis a uns e outras, a outros mas que são estranhas para os primeiros!

Talvez a solução seria divulgar aos nativos as várias formas para evitar discriminações/falta de respeito entre nativos e entre nativos e estrangeiros. Incomoda muito que estejam sempre a corrigir-nos.

Grata pela atenção de sempre.



Cidália da Silva Gutiérrez :: :: Madrid - Espanha

[R]

O seu texto coloca diversas questões. Antes de mais nada não vejo de que outra forma pode encarar a inexistência de uma Academia da Língua Portuguesa a não ser admitindo-a. É uma constatação. E não creio que a falta desse organismo lhe possa ser imputada a si. Pelo que também não vale a pena considerar a afirmação dessa inexistência como um ataque pessoal, do qual tenha que se defender… Por outro lado, é certo que o Português não tem uma Academia activa que o uniformize. Mas tem gramáticas que o explicam e tem falantes que o dignificam. E tem escritores que a levam o seu reconhecimento ao mais alto nível, como o prémio Nobel… E são estes os instrumentos com que se faz o rigor de uma língua… Nem Cervantes, nem Camões precisaram de uma Academia que defendesse, ou uniformizasse, a língua que dignificaram.

Quanto à existência de formas diferentes para dizer a mesma coisa, permita-me a expressão sincera do meu cepticismo face à eventual inexistência de situações semelhantes no castelhano. Ou seja, estou plenamente convencida de que se prestar muita atenção ao que ouve, ou lê, vai encontrar no castelhano formas diferentes de dizer a mesma coisa… É que todas as línguas, felizmente! (e passe a generalização…) oferecem diversas formas de construir uma frase, ou uma ideia. E o castelhano, que não conheço assim tão bem, diga-se, não fugirá a essa regra…

O que nos leva ao ponto fulcral, parece-me, do seu texto. Creio que posso sintetizar a sua preocupação da seguinte forma: está num país estrangeiro a conviver com falantes de português língua materna e com falantes de português língua não materna. Entre estes falantes há discussões e corrigem-se uns aos outros, ou pelo menos, a consulente é corrigida e sente isso como uma ameaça...

Seria interessante saber que aspectos são corrigidos… Poderá ser a pronúncia, poderá ser o tipo de vocabulário. Poderá ser o uso inadequado de um vocábulo ou de uma regra. Se for um caso de pronúncia ou de vocabulário que a ligue a características específicas da sua região de origem, não me ocorre muito mais do que lamentar que tal discriminação, ou ridicularização, aconteça… Se faz um uso inadequado de algumas frases ou palavras, então recomendo-lhe que adquira uma boa gramática e procure, pelo estudo, ultrapassar a situação.

Seja qual for a situação específica que está a viver, é minha convicção de que poderá ultrapassá-la pelo estudo e pela autoconfiança que o domínio da matéria lhe poderá trazer. Se nos colocar dúvidas concretas, o Ciberdúvidas poderá ajudá-la…

Edite Prada :: 01/10/2008

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