[Diversidades]

Ainda sobre o luandês

Rui Ramos*

Este é um complemento à lista já apresentada de termos de calão luandês, falado em Lisboa e suas zonas suburbanas por milhares de jovens angolanos provindos de Luanda. Note-se que quase todos esses jovens têm o idioma português como língua-mãe.

Neste calão, as vogais são sempre abertas, as palavras arrastadas, como se fossem cantadas, qualquer «m» ou «n» a iniciar uma palavra, seguido de consoante, não se deve pronunciar. É como se fosse um til (influência das línguas bantu, neste caso do kimbundu).

     boda (bôda) - festa
     está anduta - está fácil
     pelito - chapéu
     gardina - calça
     bila, bilau - camisa
     bóter - carro
     dbengo - ténis (sapato), feio, rato
     iofé - feio
     nboa (ô)- mulher
     ui (í)- homem , sujeito
     tejo, juté - burro, estúpido
     tape (teipe) -televisão
     ulá - relógio
     piô, candengue - criança («pió» vem de «pioneiro», a antiga designação oficial das crianças na Angola marxista)
     pitéu - comida
     bitola, tubiacanga - cerveja
     kikuto - casaco
     laton, lara - mulato
     latona - mulata
     ngueta - branco (= pula)
     makala, bumbu - negro
     mboio - comboio
     mbenda - chapada
     apanhar uma tona - apanhar uma bebedeira
     tonado - bêbedo
     fubada, balada - funje
     kota - mais velho (usa-se com um sentido de respeito, muitas vezes nada tem a ver com a idade, mas com a posição)

17/04/1997

Sobre o Autor

*jornalista angolano, com a colaboração de Vitória da Natividade Meira. Ver 1ª parte desta lista.

AO 1945
AO 1990
Patrocinadores