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[O Nosso Idioma] - Literatura

A arte do génio da língua portuguesa *

Teixeira de Pascoaes**

Um excerto retirado de Arte de Ser Português, do poeta e filósofo do Saudosismo Teixeira do Pascoaes, sobre as particularidades criadoras do génio da língua portuguesa.


A faculdade que tem um povo de criar uma forma verbal aos seus sentimentos e pensamentos é que melhor revela o seu poder de carácter (...). Se a nossa alma, em seu trabalho de exteriorização verbal, se condensou em formas de som articulado, em palavras gráfica e sonicamente originais, também nas obras dos nossos escritores e artistas autênticos se nota uma instintiva compreensão da vida, em perfeito acordo com o génio da língua portuguesa.

[…]

A linguagem é obra da natureza e do homem.

As coisas falam à nossa sensibilidade que converte a impressão recebida numa forma de som articulado; isto é, «nomeia» a coisa que a feriu.

O nome de uma coisa (principalmente das coisas vivas e naturais) é, por assim dizer, ela mesma em espírito verbal.

Ora, quando a sensibilidade de um povo responde, de um modo especial, às coisas que lhe «falam», ou quando elas impressionam de um modo especial a sensibilidade de um povo, é porque ele tem uma alma própria, o dom de conceber e sentir o mundo e a vida por virtude própria.

E se as coisas nos falam, também nos falam os nossos sentimentos, para serem nomeados e adquirirem expressão vivente. [...] De um modo geral e vago, assim se criaram as palavras, verdadeiros seres, que, de organismos rudimentares, interjeccionais, se foram aperfeiçoando, pelas leis que presidem ao desenvolvimento das outras criaturas.

* In Arte de Ser Português (1915), Lisboa, Delraux, 1978, pp. 25-27 :: 22/02/2012

Sobre o autor

** Teixeira de Pascoaes (Amarante, 1877 – Gatão, 1952) foi um poeta e escritor português que se destacou no movimento saudosismo. Lançou, juntamente com Leonardo Coimbra e Jaime Cortesão a revista A Águia e colaborou noutras, como Serões, Atlântica e Contemporânea, onde publicava os seus poemas. São da sua autoria obras poéticas, como: Embriões (1895), A Elegia do Amor (1924), entre outras; e textos em prosa, dos quais fazem parte A Arte de Ser Português (1915), Dois Jornalistas (1951), entre outros.

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