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[Pergunta | Resposta]

Oração completiva não finita sele(c)cionada por obrigar

[Pergunta] Bem sei que já trataram o tema à saciedade, mas gostaria de lhes colocar uma questão acerca do infinitivo.
A frase em causa é a seguinte: «Não se vislumbram medidas que obriguem os alunos a estudar.»
A minha dúvida é a seguinte: é correcto (e obrigatório) o uso do infinitivo impessoal neste caso?; se o é, o motivo é ser 'obrigar a' uma perifrástica? Foi o que me foi dito (pensava que 'obrigar' era 'apenas' verbo transitivo...) para justificar a obrigatoriedade do uso do infinitivo não flexionado. Deixava apenas uma dúvida mais: não se aplica aqui a regra do uso do infinitivo flexionado por haver dois sujeitos diferentes? Se não, seria possível explicarem-me o motivo?
Estimados mestres e amigos em idioma, tirem-me deste embrulho!
Renovo os votos de parabéns pelo serviço prestado e pelo saber honesto e generoso que evidenciam a cada passo.

Hugo Santos :: Revisor :: Porto, Portugal

[Resposta] O verbo obrigar é transitivo, podendo sele(c)cionar uma oração de infinitivo de infinitivo. Em tal oração, usa-se o infinitivo não flexionado (impessoal) quando o respectivo sujeito é um pronome átono que serve de obje(c)to dire(c)to ao verbo da oração subordinante («obrigou-os a estudar»). No entanto, não se pode dizer que este uso constitua uma regra, uma vez que o infinitivo flexionado (pessoal) também é possível («obrigou-os a estudarem»).
Se o sujeito do infinitivo é uma expressão nominal, é também possível usar quer o infinitivo flexionado quer o não flexionado («obriga os alunos a estudar/estudarem»; cf. Maria Helena Mira Mateus et aliae, Gramática da Língua Portuguesa, Lisboa, Editorial Caminho, 2003, págs. 633 e 643; Celso Cunha e Lindley Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo, Lisboa, Edições João Sá da Costa, 1984, pág.484).

C. R. :: 30/06/2006

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