Os vínculos portugueses - Antologia - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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Os vínculos portugueses


Meu irmão, meu irmão branco,
de cor, como eu também!
Aceita a minha aliança.
Bebe o meu sangue no teu.

Se te sentires timorense,
bebe o teu sangue no meu.

Lenço enrolado nas mãos,
apertadas, pele na palma.
Não o quero maculado.
Quero-lhe mais que à minh´alma.

É penhor de uma aliança.
Quero-lhe mais que à minh´alma.

Tenho o meu coração preso
a um símbolo desfraldado;
um desenho atribuído,
pelas minhas mãos hasteado.

Não piso a sombra de um símbolo
pelas minhas mãos hasteado.

No Tata-Mai-Lau aprendo
alturas que ninguém viu
na terra de Português.
Hasteei-lhe uma bandeira.

Timor deu volta ao mundo.
Hasteei nele a bandeira

 

Fonte
in "Um Cancioneiro de Timor", Editorial Presença, Lisboa.

Sobre o autor

Ruy Cinatti (Londres, 1915 – Lisboa, 1986) foi um poeta e silvicultor português. De 1951 a 1956, trabalhou como chefe dos Serviços de Agricultura do Governo de Timor. Foi co-fundador da revista Cadernos de Poesia e responsável pela revista Aventura. Da sua obra, destacam-se Nós não somos deste mundo (1941), O Livro do Nómada Meu Amigo (1966, Prémio Antero de Quental) e Sete Septetos (1967, Prémio Nacional de Poesia).